Muffys, não Muffins!!!

A viagem em busca do título (perfeito) para um blog pode transformar- se numa verdadeira expedição pelos recantos mais íntimos das nossas inspirações e das nossas memórias, e não é, nada mais nada menos que a tentativa de responder à pergunta: o que é que me inspira? Iniciei esta viagem pelas memórias. Da infância. Da casa da tia Julieta em Tavira e do cheiro a figos, a amêndoas e de trepar à alfarrobeira com os primos. E como não há nenhum algarvio que não tenha um pezinho em Marrocos vagueei pelo Oriente, pelos perfumes e aromas que nos deixaram em herança ( para além das mouras encantadas!). E do Oriente, da Índia, veio o meu sonho mais sonho, veio o amor verdadeiro (... e o tempero da sogra!). E foi desta magia oriental que nasceram as minhas inspirações que têm (por coincidência) alcunha de guloseima: Muffy (diminutivo carinhoso de nome de pestinha), quase tão docinha como um muffin, mas muito, muito mais apimentada; e Brownie, tão docinha, tão apaixonada por chocolate que o tom da sua pele quase reflecte o tom dourado da guloseima. São elas que me inspiram e me incentivam a ser feliz todos os dias! Muffy e Brownie!



terça-feira, 4 de setembro de 2012

Amor fraterno

Há irmãos de sangue, que partilham connsoco a informação genética e a história familiar, os quais amamos porque são parte de nós. E depois há os outros irmãos, aqueles que vêem com o pacote, que se juntam à família a meio do caminho e que podem , aos poucos, ser também uma parte de nós.

Eu tenho cunhadas assim... uma que me pegou ao colo e outra que, de vez em quando me dá um colo...



sexta-feira, 1 de junho de 2012

Bom dia, crianças!!!


Desejo um feliz dia a todas as crianças, dos 0 aos 110 ( no mínimo) ! E lanço um repto: nunca deixemos de ser crianças naquilo que considero ser a capacidade inata mais bonita do ser humano- a capacidade de sorrir esponataneamente!

Sim, eu sei que sorrir não é, de todo, uma acção complexa. Ela até pode ser inconsciente. Mas todos dias fico perplexa com a forma carrancuda como a maior parte das pessoas lida com os outros humanos.
Todos temos a opção de sorrir ou não, de ser amável ou não, prestável ou não, educado ou não. Infeleizmente, a maioria opta pelo "ou não". Tomando o caminho inverso, o mundo seria certamente um lugar onde todos nos sentiríamos bem...e felizes!

Houve um dia uma senhora velhinha, muito sábia, que disse que não devemos deixar que alguém saia da nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz. Ouvi esta frase quando ainda era miúda num documentário e, desde então,  todos os dias tilinta na minha essência a necessidade de tentar pôr em prática esta forma de estar na vida, um pouco simplista, infantil até...mas, garanto,   muito reconfortante!


Eis a minha contribuição para a festinha do dia da criança na escola da Muffy!... depois de muitos azares, quase desistências e muito soninho!








terça-feira, 6 de março de 2012

Bolo de lima e côco para momentos doces!!!

É engraçado como a vida nos dá lições. Quem me diria a mim há 10 anos atrás, que iria ansiar pelo momento em que vou estar com os meus pais? E que iria esperar uma semana inteira pelo dia em que vou almoçar lá a casa ou pelo dia em que lá convenço o meu pai a vir a minha casa lanchar*?

Há uns anos eu ansiaria por vê- los pelas costas. Cada momento sózinha era uma benção e os meus planos de vida passavam, forçosamente, por arranjar um emprego longe, bem longe, de preferência noutro continente. Quanto mais tentavam prender- me em casa, mais cresciam em mim a revolta e o sentimento "um dia vingo- me, e desapareço daqui!...".

Mas depois chegou, finalmente o dia de partir. E, com ele, o dia em que os meus pais me mostraram que me amavam incondicionalmente, porque foram capazes de mudar por mim. E o meu estatuto de mulher, responsável pela geração (e gestão) de uma nova família (mesmo quando ainda só era composta por dois elementos) criou neles o respeito de quem apoia mas não se intromete, de quem contribui apenas com a sua presença incondicional.


Percebi isto no dia em que aconteceu algo de extraordinário e inesperado- naturalmente, dei por mim a beijar o meu pai e fazer- lhe festas na careca.Como se ele fosse o filho e eu a mãe que quer proteger e acarinhar.


E desde esse dia, à medida que o meu amor crescia a uma velocidade sufocante, começava a não haver espaço para qualquer outra classe de sentimentos- só amor, admiração, carinho e muita vontade de partilhar com eles muitas alegrias.

Felizmente, a vida tem- nas trazido. Aos pares... de meninas! Não só as minhas, mas muitas meninas!Muitas crianças apaixonadas pelo vôvô e pela vóvó!  E, com o avançar da idade, eles têm- se tornado os meus meninos- ou os meus filhos mais velhos, como eu gosto de lhes chamar.

E como uma mãe velhinha que sonha com o dia em que os filhos vêm para a visita semanal, também eu suplico * e peço o favor de uma visitinha, rápida, de médico, e dou desculpas- muleta pelo meu pedido: "Venham ver as netas!"; "Elas têm muitas saudades vossas"; "Tenho muita roupa para passar. Se a mãe cá pudesse vir..." ( É claro que, assim que a campaínha toca, a roupa se esconde no roupeiro mais fundo que eu não sou abusadora!).

Confesso que, de cada vez que sou agraciada com uma visita de Sua Ex.ª, o Rei da Couve- Troncha, e recebo as (como ele diz)  "saquiladas" de grelos, alfaces, cebolas, batatas, ovos, e muitos, muitos , outros produtos da horta, que ele continua a produzir (porque "se não o que é que a moça come?"), choro em silêncio e rezo, rezo muito e baixinho. Para que as saquiladas continuem a chegar à minha cozinha eternamente, porque cada saquilada encerra - disfarçados de grelos, alfaces, cebolas, batatas e ovos- muitos beijos, abraços, "Adoro-te, filha", "Tenho orgulho em ti, filha" que nunca El- Rei da Capoeira poderia dizer em público.

(* Sim, porque o meu castigo agora, é ter de partilhar as atenções do meu "filho mais velho"  com as galinhas, a horta, o calorzinho da salamandra, a novela da TVI e ainda o medo de conduzir quando já está escuro.)


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Bolo de chocolate com framboesas.




    Janeiro é, como costumo dizer, o mês de todos os aniversários! Mas, para além da Muffy, do querido maridinho, sobrinhos e cunhadas- tudo malta com mau feitio, mas com um grande coração- há um que é compreensivelmente especial: a minha mãe!

    Que tipo de pessoa é a minha mãe? Bom, podia começar a falar das suas origens humildes de filha de pescador que nunca conseguiu passar da 2ª classe  porque tinha de distribuir os almoços pelos irmãos e pai que andavam a trabalhar. Ou então da mãe aguerrida que sempre lutou para que aos seus filhos nunca ninguém apontasse o dedo por falta de educação (e também lutou às vezes contra eles, porque estavam a crescer e percebeu que não seriam só seus para sempre...), ou ainda da esposa que, durante vinte e cinco anos esperou por um marido emigrado e resistiu, sem uma queixa e sem vacilar,  à solidão e à saudade, mesmo quando os filhos mais velhos seguiram os passos do pai.

    Também foi uma mulher que perseguiu toda a vida o sonho de ter uma filha menina e que nunca desistiu mesmo quando Deus lhe  levou algumas vezes esse sonho, e mesmo quando a idade já fazia temer pela vida.
A menina acabou por vir e, com ela, veio mais uma vez o medo de a perder, para o Azar, para os amigos, para o Mundo ou, ainda mais terrível, para o Amor.

    Depois do turbilhão que foi a relação com esta menina, a vida da minha mãe mudou, quando esta menina se tornou na sua melhor amiga, numa mulher plena e feliz que lhe deu mais duas meninas ( para além das primeiras outras seis netas, já para não falar nos bisnetos). E com estas duas meninas (aquelas que  a proximidade física permite) pode , de novo, alimentar aquela fonte contínua de amor e carinho que sempre partilhou com todos à sua volta.

    A coisa que mais recordo dos tempos em que, como ela diz, era L., são as gargalhadas. E são as coisas que mais sinto pena que tenha perdido. Para além de ser um coração puro e amigo de todos, ela era a alegria de qualquer festa: a mulher da risota, das partidas e das piadas. E eu, se não conseguir que ela volte a ser assim, o mínimo que desejo, é ser eu assim e depois, se me perguntarem como é que consigo estar sempre bem diposta eu responderei: " saio à minha mãe!"



BOLO DE CHOCOLATE COM FRAMBOESAS

( a receita é a mesma que usei no bolo da Minnie que fiz para a M.)

Bolo:

4 ovos + 1 cháv. açúcar
1 cháv. óleo+1 cháv. água quente
2 cháv. farinha com fermento peneirada +2 cháv. de chocolate em pó
1 pitada de sal

Cobertura e recheio:

2 pacotes de natas frescas
120 gr. de açúcar
1 embalagem de framboesas, morangos ou outra fruta
Bolo:
Bater os ingredientes na sequência descrita.
Pré-aquecer o forno a 180º e cozer entre os 150º e os 180º.

Se o forno for elétrico, colocar uma folha de papel de alumínio por cima. Quinze minutos após o início da cozedura, o bolo já apresenta o topo cozido.Colocar o alumínio nessa altura. Cozer durante 30 e 40 graus.


Cobertura


Bater as natas com o açúcar até que fiquem bem firmes (cuidado para não passar a manteiga) e reservar no frio. 
Quando o bolo estiver frio, cortar a meio e rechear com as natas batidas e framboesas ( morangos ou qualquer outra fruta ). Montar  o bolo, cobrie e rechear com as restantes natas batidas. Decorar com as framboesa e polvilhar com açúcar em pó.


Cantar os Parabéns!!!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Bolo de aniversário da Minnie!

    Não há duvida, a sabedoria popular ainda é o que era: não há fome que não dê em fartura!
    Pois, ...depois de passar quase um ano sem passar cartão ao meu bloguinho, aqui estou eu...dois dias seguidos a dar notícias!
   Hoje o motivo é o aniversário de outra menina que adoro como se fosse minha filha e que é quase gémea da minha filha (a minha sobrinha M.).

    A M. e a Muffy têm apenas alguns dias de diferença, o que significa que a família assistiu ao crescimento simultâneo de duas barrigas e ao parto, quase simultâneo de duas meninas! O que me faz pensar que, muitas vezes nos queixamos da vida e não paramos para pensar nas verdadeiras bençãos que nos é permitido experienciar no nosso tempo de vida e que, por andarmos demasiado ocupados a lamentar- nos de tudo um pouco ( a crise, a gasolina, o frio, os maridos (maridinho se me leres...EU NÃO!), o trabalho, deixamos que passem completamente despercebidas em tal mar de lamúrias.
    Da minha parte, como este ano o lema é comemorar, vou celebrar tudo o que me dê na telha. E hoje vou festejar a  chegada de duas crianças maravilhosas, com umas belas de umas personalidades e, que tanto uma, como outra, fazem um bom uso delas para marcar a diferença!

   PARABÉNS M!!!


    E deixo aqui um agradecimento especial à "dona" do blogue Lume Brando. Ela não sabe, mas contribuiu muito para que eu recomeçasse, aos poucos, a "reacender" o meu blogue. Porque, assim que, num daqueles vagueares por blogues, encontrei o Lume Brando, não parei enquanto não li todas as receitas. A razao é muito simples: tudo o que ela faz tem qualidades que muito valorizo: o bom gosto, a simplicidade e o despretenciosismo... Obrigada!

Então, para a minha M., que adora a Minnie, saiu, depois de duas noitadas valentes, este bolo!

    Confesso que, como esta era minha primeira vez assim numa coisa complicada, me inspirei num bolo que encontrei ao fazer uma busca no Google. Não foi plágio, foi um cinto de segurança! Agradeço à fonte!

   E assim foi e em tempo de crise, sem possibilidade de prendas carérrimas, dei aquilo que é para mim um bem precioso: as minhas horas de sono! Com muito boa vontade e, sobretudo muito amor.




O bolo foi fruto da minha dificuldade em acertar as formas com as quantidades de massa e, por isso tive de fazer o bolo em três vezes.

Primeira:

Bolo de chocolate
(receita da mãe do meu amigo Fona/Zeca )

4 ovos + 1 cháv. açúcar
1 cháv. óleo+1 cháv. água quente
2 cháv. farinha com fermento peneirada +2 cháv. de chocolate em pó
1 pitada de sal

Bater os ingredientes na sequência descrita.
Pré-aquecer o forno a 180º e cozer entre os 150º e os 180º.

Se o forno for elétrico, colocar uma folha de papel de alumínio por cima. Quinze minutos após o início da cozedura, o bolo já apresenta o topo cozido.Colocar o alumínio nessa altura. Cozer durante 30 e 40 graus.

( Esta receita deu para uma das metades do bolo ).



Bolo mármore
(receita do blogue Lume Brando )




150 gr. manteiga
175 gr. de açúcar
3 ovos
250 gr. de farinha
1 col. de sopa de fermento
1,5 dl. leite
1 pitada de sal
2 col. de sopa de cacau


Bater os ovos inteiro. Reservar.
Bater a manteiga amolecida a té que fica em creme. Juntar o açúcar, os ovos batidos, a farinha, o fermento e o chocolate peneirados juntos. 
Mistura- se bem. Adiciona- se o leite e o sal.


Encher a forma ( untada e polvilhada como manda o preceito ) com dois terços da massa. À restante massa, junta- se o chocolate e junta- se à primeira massa, criando o efeito marmoreado.


Cozer a 180º durante 50 minutos..




Esta foi a massa que fiz para o bolo da Kitty. Desta vez, como metade do bolo já era de chocolate, deixei toda a massa branca, sem juntar chocolate. O dobro da receita acima deu para a outra metade do bolo.


As orelhas: fiz dois bolinhos pequeninos com uma receita de massa de iogurte.





Bolo de iogurte
(receita da minha mãe )

4 ovos
1 iogurte 
3 copos do açúcar
1 copo de óleo
3 copos de farinha + 1 colher de chá de fermento


Bater todos  os ingredientes excepto a farinha e o fermento.

Juntar a farinha e bater.

Cozer a 180º durante 40 min.






quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Duplamente Hello Kitty: bolo de aniversário e bolachas- oferta!

Comemorar... este ano vou- me permitir comemorar! 

    Comemorar porque sim! Comemorar tudo!Mas porquê? - pergunta o "fiél leitor"(..hum...ainda são só..0 ?) E porque não?- responde a talentosa redactora ! ( Já que ninguém está a ler, acho que me posso esticar um bocadinho...)

    Este ano apetece- me comemorar sobretudo porque 2011 acabou, e com ele 2010 e 2009. E, apesar de não terem sido anos marcados por fatalidades de maior, também não foram anos de maior, nem de menor. Apenas se arrastaram , um após o outro. E eu sentia- me a dormitar ao ritmo da passagem dos segundos (vem- me a propósito a imagem da tortura pidesca do pingo na cabeça...). E, nem no trabalho, nem em família, nem junto dos meus amigos, me senti com ânimo, acordada para a vida, consciente. 
Por milagre, esse filtro cinzento tem- se vindo a desvanecer com a entrada do novo ano, e cada inspiração parece que faz isso mesmo...inspira- me!

E, imbuída deste novo espírito, o primeiro mês do ano trouxe o melhor dos motivos para celebrar: o aniversário da Muffy!  
E assim fiz, arregacei as mangas, tirei o avental do armário, sacudi a traça e a teia de aranha e lancei- me à cozinha.

O aspecto da dita, a meio da tarde, era este:


As bolachas, depois de saídas do forno:

E o resultado final, 6 bigodes vezes 40 bolachas depois!



E o bolo de aniversário que fiz para ela cantar os parabéns com os amigos na escolinha!

FIM!!!

       Como sempre a minha doce Brownie quis dar uma ajuda e, arriscando ir para a cama a horas impróprias de quem já tem um longo dia de escolinha pela frente, colocou todos os olhos e narizes das Kittys. A Muffy, essa pestinha, o melhor que conseguiu fazer foi comer todos os olhos e narizes que "encontrava" (leia- se "gamava").
     Eu ainda pensei desistir a meio da jornada. E é claro que encontrei várias formas de me desmotivar: as Kittys estavam fantasmagóricas, o glacé não estava homogéneo, as bolachas não estavam com um sabor nada especial, uma bolacha é uma prenda pobrezinha, etc, etc, etc.
    Duzentos e quarenta bigodes e uma dor de costas depois, todas as dúvidas se desvaneceram, porque o esforço foi grande ( sempre proporcional ao meu amor pela pestinha) e decidi que este iria ser o meu mérito: tentar, tentar e, depois de tudo, tentar mais um bocadinho!

    A verdade é que compensou, porque para além da felicidade da minha terrorista, foi o orgulho com que ela disse a todos que lhe fez o bolo. Foi a Brownie me ter pedido umas bolachinha para mostrar às amigas na escola e, no fim, ainda recolhi uns elogios das professoras e das mães das colegas de ambas.

   O bolo podia não estar perfeito e as bolachas podiam não ser a melhor homenagem à gata...mas foram concerteza  a melhor forma de dizer obrigada às minhas filhas por existirem e por serem assim, tão diferentes entre si e com uma capacidade imensa de me completarem a mim.

PARABÉNS MUFFY!

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Após terem- me chegado aos ouvidos rumores de leitores queixosos e saudosos que acham insuportável a minha ausência (a última vez que contei...eram...hmmm...1!), caí em mim! Sim , porque detesto carregar a responsablidade do sofrimento alheio e porque acho que estou, finalmente, decidida.

A escrita para mim é, de facto, essencial. É a calha por onde dou escoamento a tudo aquilo que fervilha dentro de mim mas que não se coaduna com o perfil diário da mãe de família, dona de casa avassaladoramente responsável e ocupada e, empregada (mais ou menos) exemplar.

No entanto, não tenho coragem de escrever quando não tenho certezas. Ou quando o fervilhar de emoções e dúvidas é tal que fico, literalmente, sem saber de que terra sou...ou melhor para que terra vou.

E foi isso que se passou desde o meu último contacto: estive a escolher paixões. Como quem separa o feijão bom daquele que foi atacado pelo gorgulho. Sim, é isso, estive a limpar o meu espírito do gorgulho...

Provavelmente, aquilo que se passa comigo seria de fácil rotulagem por um psicólogo: crise de meia idade ( atenção, que fique bem claro:SÓ TENHO 33!, não é bem meia idade, é ligeiramente menos que meia idade)! Ou seja, aquela altura da vida em que se poderia pôr o título: OU SIM OU SOPAS! Ou te dedicas àquilo que realmente te apaixona, ou mentaliza- te que comerás para sempre a sopa da dúvida, amarga com o sabor de sonhos por concretizar e morna (nunca fui capaz de engolir coisas mornas.É que não passam!...prefiro arrancar a pele da garganta).

Uma vida morna foi coisa que nunca quis! Nunca sonhei para mim um plano daqueles que soa a template do windows,  a comida mastigada e pronta a engolir : estudar;empregar- me; casar; ter filhos; trabalhar e, simultaneamente dar um empurrão aos miúdos no processo de crescimento e prepará- los para uma vida igual à minha, ter netos que irão alimentar o sistema que eu mesma alimentei, morrer com a sensação de que cumpri o meu papel na cadeia.

De tudo isto, as únicas coisas que quis para mim foi o Amor e suas inevitáveis consequências: os filhos. Mas sempre soube, e quando digo sempre, foi mesmo sempre, que a vida teria de ser mais que isto.  Ao início, tinha, como todos nós, a ilusão de que a minha missão era grandiosa e iria afectar a qualidade de vida de toda a população mundial.

Depois, esborrachei- me contra a dura realidade das contas para pagar e das bocas por alimentar e transformei- me numa roda dentada do mecanismo social. E pronto, lá veio a crise de meia idade para enferrujar uma máquina tão bem oleada. Mas é só isso que basta, que uma das pequenas peças falhe para imprimir uma mudança a nível geral.

Desconfio que o meu papel será intervir em duas das esfera que considero basilares na vida humana: as crianças e a saúde que, para mim, está inteiramente alicerçada na alimentação.

As crianças:

Uma das minhas resoluções para 2011 foi fazer uma brusca inversão de marcha na forma como estava a conduzir a educação das minhas filhas. Que não era educação! Era dar uma mãozinha para que não crescessem com fome e sem afecto! Mas educação ( apesar do afecto ser um passo de gigante na construcção de bons seres humanos) está longe de ser apenas isso! Educação é munir as crianças de instrumentos racionais e emocionais para que, uma vez adultos, consigam escapar à engrenagem desta sociedade e serem, eles próprios veículos de mudança. Ou pelo menos, terem os meios para escolherem., em consciência, que destino dar à sua existência no mundo.
Esta mudança implica que, também eu enquanto mãe e educadora, altere a minha forma de me relacionar com elas. Significa que, pelo menos ao fim de semana, ponha de parte tudo aquilo que povoa a minha existência de fada do lar (roupa, pó, loiça, cozinha) e me dedique, inteira, a mostrar- lhes o mundo. Quem diz o mundo, diz a cidade, o rio, a arte, a cultura, as pessoas ou, mais difícil mas não menos importante, elas próprias. Dar- lhes a conhecer as suas capacidades, as suas potencialidades, as suas paixões.E, apesar de ainda só ter passado um mês, já tenho colhido uns frutos: já pude ver a alegria de uma filha por ter a mãe só para si durante um dia inteiro; já pude partilhar um pôr do sol à beira mar com a menina mais linda do mundo; e os beijinhos, Meu Deus! a melhor coisa são os beijinhos recheados do carinho de um filho.Aí tudo se encaixa e tudo faz sentido!

A saúde/alimentação:

Tenho - me perguntado muito nos últimos tempos quando foi que o homem virou costas aos seus alimentos? Quando foi que a indústria tomou com mão de ferro opressora conta daquilo que comemos? Não é claro para todos que os processos industriais de fabrico, que  vieram substituir as receitas e processos artesanais, têm apenas como objectivo a possibilidade de produzir alimentos de forma massificada. Mas que isso, apesar do argumento do crescente número de população mundial, não visa mais que tornar mais barato o processo produtivo, prolongar prazos de validade de forma  a prolongar também o tempo em que pode ser adquirido pelo consumidor e, logo, aumentar as vendas.
O que não visa certamente é o bem estar do consumidor. Poderá, eventualmente, tornar a sua vida mais simples numa primeira fase: não é um alívio poder chegar a casa, enfiar um bloquinho congelado no microondas e passados 8 minutos podermos deliciar- nos com um saboroso arroz de pato?  A longo prazo poderá não ser tão fácil lidar com as consequências deste tipo de alimentação, mas vá!não sejamos alarmistas! (pelo menos por agora).

Tudo isto começou quando um dia peguei no rótulo do pão que comprava diariamente no supermercado e me deu para ler (quem é o idiota que lê rótulos de pão na fila da caixa???). Um dos ingredientes chama- se "melhorante". DESCULPEM? Melhorante? Isto é defeito de alguém que se licenciou no estudo das palavras mas, se alguma coisa precisa de ser melhorada é porque...não presta? Mas porque raios precisa um simples pão de ser ME-LHO-RA-DO!  Se eles não sabem fazer pão chamo já a minha avó Virgínia (alguém conhece um bom vidente???) , detentora do único forno a lenha que existia no Zambujal, e que dava lições de panificação a todos os habitantes da aldeia! E que daria um bailarico a qualquer padeirito desses que só adiciona a água ao preparado (carregadinho de aditivos) e enfia no forno e que não faz a mínima ideias a que é que cheira uma massa bem lêveda!E sem melhorantes!

Depois deu- me para ver documentários sobre alimentação. Não só o incontornável Food Inc., mas um documentário francês com o sugestivo e inspirador nome Nos enfants nous accuseront ( As nossas crianças irão acusar- nos). Mas que ideia arrepiante! As nossa crianças, no futuro, serem adultos tão doentes que terão de apontar um dedo acusador àqueles que não souberam acautelar o seu futuro. Mas engana- se quem pensa que acontecerá no futuro. Um dos factos apresentados nesse documentário é o de que a nossa geração é a primeira geração de sempre mais doente que a anterior. Ou seja, pela primeira vez, não há um aumento na qualidade de vida dos filhos em relação aos pais. E qualidade de vida não implica melhores carros ou tecnologia mais desenvolvida. Até porque foi o desenvolvimento da tecnologia aplicado à indústria alimentar que nos trouxe aqui. Qualidade de vida no seu sentido mais puro: poder usufruir do bem maior, da Vida.Ao que parece estamos demasiado doentes para o fazer.

Estamos tão desenvolvidos que até já temos "doenças de civilização". Pois...

Penso que a partir de agora, lamento se desapontar os meus imeeensos e fiéis leitores, o meu blogue nunca mais será o mesmo.. e talvez eu também não. Mas certamente será mais verdadeiro... porque terá uma visão!

P.S.: Obrigado leitor do Porto que reclamou ao intermediário pela falta de actualização do blogue. Espero ficar para sempre em dívida consigo. Seria bom sinal!

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Bacalhau, Algarve, Marrocos



    Aquilo que mais me conforta são histórias que tornam mais presentes os sítios onde eu sinto que pertenço e que explicam a minha existência. Desde pequena que sinto alguma tristeza por ter nascido em Lisboa. Não, não é isso, eu adoro Lisboa! Mas as histórias da minha família não são daqui e, de certa maneira, não ser uma personagem dessas histórias, faz- me sentir que não pertenço à história familiar, que quebrei um laço histórico qualquer. Por isso, desde sempre, adorei que minha mãe me conte histórias dos avós que não conheci, do que eles faziam, em que trabalhavam - desde miúda que digo, com o peito inchado que o MEU AVÔ era pescador, com mais orgulho do que se ele fosse um ministro qualquer. Não! pescador é homem de verdade, enfrenta a fúria do mar e dos elementos!).
    Esta semana, em visita à neta acometida por uma virose, lá veio a minha mãe tomar um cházinho e a conversa levou à minha avó que, nos seus últimos dias de vida só pedia às filhas que lhes fizessem uns "granitos" com arroz, obrigando todos a contribuirem com uns escudos (que não tinham) para ir comprar um  bocadinho de borrego para dar gosto aos "granitos". E esta palavra, esta história,  ficou a ressoar no meu coração durante dias.
    Todos os dias, olhava para o ingrediente principal e pensava: " Como é que posso pôr aqui uns "granitos"? E no dia do bacalhau, fez- se luz! Num bacalhauzinho estufado uns quantos grãos seriam um toque especial. Mas como já tinha prometido à Brownie que lhe fazia "couscous", não pude ser fiél à história dos gãos com arroz da avó, puxando a coisa além Algarve, mais para Marrocos ( dizem que é a mesma coisa e eu, orgulhosa, apoio!). E assim nasceu: Bacalhau com grão, ovos e couscous.


Bacalhau, grão, couscous



(para 2 e 2 ½ comensais)


2 lombos de bacalhau


2 tomates bem vermelhinhos


1 pimento vermelho


1 cebola


2 dentes alho


1 folha de louro


Coentros q.b.


1 lata pequena de grão cozido


2 ovos


Sal, azeite, pimenta q.b.


200 gr. de couscous


Lavar os lombos de bacalhau, retirando as peles e barbatanas. Reservar.


Num tachinho, fazer a base do estufado com o azeite, a cebola, o alho, o louro, o tomate (sem pele nem graínhas), o pimento cortado em tiras finas e o coentro. Quando começar a libertar os perfumes, junta- se água e deixa- se levantar fervura. Nesta altura, juntar os lombos de bacalhau e deixar cozer. Depois do bacalhau cozido, junta- se o grão ( lavado e escorrido) e deixa- se ferver de novo. Nesta altura, abrir os ovos na superfície do estufado e deixar escalfar.


Servir acompanhado de couscous soltinho, bem embebido no molho do bacalhau.















terça-feira, 16 de novembro de 2010

Cenoura, nozes, canela e oliveiras de Moura





    No final deste Verão, para colocar um ponto final nas férias e no descanso, o meu excelentíssimo teve um acesso de portuguesismo e declarou inadiável uma viagem para conhecermos o Alqueva. Com muita razão,  pois nada explica que, uma das maiores obras da engenharia moderna ainda estivesse no rol dos desconhecidos de cidadãos tão ciosos da sua portugalidade, quando por toda a Europa é considerada uma obra de destaque. Mal ele sabia que, no início do Outono, a nossa portugalidade iria ser posta à prova...
   Bom, e então lá fomos nós, percorrendo caminhos de oliveiras sem fim com destino a Moura. Aí sentimos o conforto de sermos acolhidos pelo sol reflectido na cal das paredes brancas; a familiaridade de ter toda a gente na rua, quer de dia, quer de noite e o calor que a terra exala.
   Para a noite escolhi um  turismo rural, quase ao acaso, que se revelou uma escolha perfeita, como se andasse há meses há procura do sítio ideal. Ficámos na Horta de Torrejais. Horta porque, para além das casas, recuperadas há pouco com extrema simplicidade e bom gosto,  existe uma propriedade imensa com todo o tipo de árvores de fruto, de vegetação e uma presa por onde passa um riacho.  Sem esperar, passámos uma tarde relaxante (q.b., não se esqueçam que fomos acompanhados pelas ferinhas), à beira de uma piscina inserida na vegetação da Horta. Foi aqui que, na manhã seguinte, ao pequeno- almoço nos foi servido, com a simplicidade dos linhos brancos e imaculados de uma casa típica alentejana, um bolo de uma textura suave marcada pelo crocante de pequenas nozes e sarapintado com o laranja da cenoura. A prova de que as coisas simples podem, de facto, ser encantadoras. Não querendo ser perguntadeira, não me atrevi a pedir a recdita, mas não descansei enquanto não encontrei uma receita que me ajudasse a reproduzir aquela maravilha ( encontrei no forumbimby, uma receita da Staparício: http://www.forumbimby.com/receita.php?recid=2351&catid ).

Bolo de nozes, cenoura e canela
1 chávena de óleo
2 chávenas de açúcar
2 chávenas de farinha
2 chávenas de cenoura ralada
1 chávena de nozes picadas
5 ovos
1 colher de sopa de canela
1 colher de chá de fermento

Ralar as nozes durante 20 seg, velocidade 5 e reservar.
Ralar as cenouras na velocidade 5, durante 20 seg. e adicionar os restantes ingredientes, incluindo as nozes já picadas.
Programar 2 min, velocidade 4.
Leve ao forno pré-aquecido a 180º, durante 45 min.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Varicela II, III, IV,...

    Pois tal como visto e previsto... Muffy não o permitiu. Eu ando há cinco anos a ensinar a lição da partilha à minha filha mais velha e, como menina bem ensinada aí está... Muffy com varicela e eu mais uma semana em casa! Mas não, enganam- se aqueles que pensaram: "mais uma semana de férias , ummm? foi só cozinhar, ler, dormir,...que bela vida!!! Mas não!  Muffy não é assim. Como eu já tinha dito antes, Muffy é de outra cepa. Daquela raça que tanto dá o abraço mais sentido e apertado, como grita até que os vizinhos fiquem na dúvida se hão- de ir dar um passeio até que o som adquira decibéis suportáveis ou chamar a Protecção Infantil. Muffy é das duras...mas é também das genuínas de sentimentos: ali nada falha, nada se esconde: quando gosta, ri e beija; quando não gosta chora e arranha. Muffy dá luta...mas também dá outras coisas: beijos demorados, gargalhadas que limpam a alma e carinhos melosos.

    Portanto, os cozinhados foram-se fazendo, as fotos tirando (e inventando um bocadinho)... e os post adiando.

    O streusel de maçã também se fez. E, à primeira foi uma desilusão: eu tinha imaginado um bolo grande  e imponente, daqueles bolos da avó que tentam fugir da forma. Mas mein streuselsito não arredou pé do fundo da forma e ficou assim: um misto de tarte fofinha, com uma camada tímida de maçãs ( as mosquinhas da fruta tiveram, afinal, o seu banquete, mas foram tão discretas que ninguém diria que aquelas maçãs vermelhinhas estavam praticamente todas com furinhos escuros) e com uma linda cobertura que se adivinhava crocante.

    Mas muitas vezes a vida é assim: dá- nos o melhor quando estamos à espera do pior ! E aquele bolito pequenito valeu cada fatia pelo seu sabor, pela mistura suave do perfume a maçã com o crocante das nozes, perfumado da canela e doce das macias maçãs.

    O meu nutricionista que não nos leia, mas testei por várias vezes o sucesso da combinação!

    Ahh!Sim! Só para terminar! Toda a minha desilusão inicial tinham sido de evitar, caso os meus conhecimentos linguísticos fossem além das línguas românicas... Eu estava desconfiada que a chave do mistério do bolo encolhido residia na tradução da palavra streusel.E não é que tinha razão? Se eu soubesse que streusel significa crumble,  nunca estaria 45 min. a olhar para o forno e a perguntar: mas tu não cresces?

 

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Bolo Streusel de Maçã ou o combate à mosca da fruta!

    Este post é uma homenagem ao meu excelentíssimo. Já não aguento vê- lo a perseguir as moscas da fruta que, de repente e (quase) sem explicação invadiram a nossa cozinha. A única coisa boa é apreciar o ar de satisfação do caçador quando, ao fim de meia hora de andar de pano da cozinha em riste po cima de cadeiras e bancadas, consegue, finalmente, terminar com a vida, curta mas não insignificante, de uma pequenina mosquinha da fruta.
    Olhando para o cesto da fruta dei- me conta que tem só maçãs. E muitas. Maçãzinhas vermelhas que sobram entre uma e outra ida ao supermercado, entre um e outro carregamento de maçãs novas.  E para que não se tornassem um banquete para as minhas mosquinhas ( banquete do condenado, porque, mal elas sabem, o grande caçador tem- nas de baixo de olho!) hoje fui espreitar o site Joy of baking em busca de algo em que transformar as minhas pequenas maçãs.
    Este site é uma verdadeira enciclopédia para quem gosta de bolos, seja em forma de bolo, biscoito, muffin, tarte, torta. Enfim, há receitas para todos os ingredientes de base que se queira utilizar. E, para além disso, tem sempre uma breve introdução que contextualiza a receita, do ponto de vista histórico, cultural ou social.

É minha solene intenção fazer esta receita durante o fim- de- semana...Muffy e Brownie o permitam!


Bolo Streusel de Maçã

Para
8- 10 investidas gulosas
Pré- aquecer o forno a 180 graus. Barrar uma forma  de mola com margarina (20 cm. de diâmetro) e proteger o fundo com papel vegetal.
Cobertura do Streusel:
Numa taça grande misturar a farinha com a canela em pó. Adicionar a manteiga com a batedeira para bolos u com um garfo até que ganhe o aspecto de migalhas. Juntar, mexendo, o açúcar mascavado e as avelãs em pedaços. Reservar enquanto se prepara a massa.
Massa: Numa taça, misturar a farinha, o fermento e o sal.
Numa outra taça (ou na taça da batedeira eléctrica) bater a manteiga até que ganhe um aspecto cremoso e macio. Adicionar o açúcar e bater até que atinja uma consistência clara e homogénea. Juntar o ovo e o extracto de baunilha e bater até que fique bem misturado. Juntar a mistura de farinha anteriormente obtida, alternadamente com o leite, e bata só até que tudo esteja homogéneo.
Espalhar a massa no fundo da forma alisando a superfície com uma espátula.
Cobrir com as fatias de maçã, dispostas ordenadamente e, de seguida, cobrir com a cobertura preparada.
Levar ao forno durante aproximadamente 45-50 min. ... ou até que o palito se manifeste!
Retirar do forno e deixar arrefecer em cima de uma grelha.
Servir morno ou a temperatura ambiente com gelado de baunilha ou natas batidas.
Nota:  Para torrar as avelãs leve ao forno durante 15 min. , a 180 graus, ou até que  o perfume se solte e a pele comece a soltar- se.  Retire do forno e embrulhe numa toalha. Esfregue até que todas as casquinhas se soltem. Deixe arrefecer antes de usar.
Torrar os frutos secos tem várias vantagens: acentua o sabor rico e amanteigado e elimina as cascas que lhes conferem um sabor amargo.
Lista de ingredientes:
Cobertura:
1/2 cháv. (65 gr.) farinha
1/2 col. de chá  de canela em pó
3 col. de sopa (40 gr.) de manteiga fria e cortada em cubos
1/4 cháv. (70 gr.) açúcar mascavado
1/4 cháv. (20 gr.) avelãs ( ou nozes, amêndoas) grosseiramente picadas
Massa:
1 cháv. (130 gr.) farinha
1 col. de chá de fermento em pó
1/8 col. de chá de sal
1/4 cháv. (56 gr.) (4 col. de sopa) manteiga a temperature ambiente.
1/2 cháv. (100 gr.) açúcar branco.
1 ovo grande
1/2 col. de chá de extracto de baunilha
1/3 cháv. (80 ml) leite
2 maças Granny Smith grandes, descascadas, descaroçadas e cortadas em fatias finas.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Páginas e páginas de (boa) tortura!!!

   Tal como a vida nos ensinou a todos, é nas situações extremas, fora da nossa zona de conforto, que conseguimos conhecer-nos, trazer à luz novas facetas da nossa personalidade que, até então, desconhecíamos...ou às quais virávamos a cara por comodismo, porque dali poderia, afinal, vir algo que nos forçasse a lutar, investir energia ou sair da nossa modorra diária.

    Comigo foi a dieta! Santa Dieta! Este ano, e Junho, resolvi que estava na hora de me livrar dos restos da "casinha" da Muffy. Bem, não era uma casinha, era uma mansão! Fui então ver o "sôtor" nutricionista e vim de lá  com um plano alimentar muito...como deveria dizer?... estreitiiiinho! Acabaram- se os lanchinhos a meio da manhã ( a meia de leite com a "sandezinha" de queijo e manteiga ou bolinho). Acabaram- se também as almoçaradas com as colegas de trabalho naquela cadeia de amurgas (hamburguer em Browniês) e molhengas.   Com muita surpresa minha, eu sou, afinal, determinada. Determinada, não! Hiper, mega- determinda! Durante 4 meses não pus o pé fora da linha, segui à risca e ao milímetro as indicações do sôtor e aqui estou eu, 12 Kg. de pessoa a menos e muito, mas muito, diferente...por dentro e por fora!

   Toda esta história da carochinha para dizer o seguinte: enquanto eu emagrecia, a minha colecção de livros de culinária engordava! A minha leitura de cabeceira perdeu toda  a ligação à narrativa, poesia ou drama e transformou- se numa pilha de livros de receitas, culinária e gastronomia. Em vez de assaltar o frigorífico no silêncio da madrugada, comecei a ficar acordada até tarde a devorar as fotos dos livros e a sorver a descrição do processo de produção do alvo da fotografia! Que maravilha! E foi assim que consegui suportar a minha reeducação alimentar!  Engordando a prateleira e emagrecendo a mim ( e a carteira! desculpa esposinho, fofinho!). Foi também assim que redescobri, muito fechadinha, dentro de uma caixinha muito bem camuflada, a paixão pela culinária, pelos tachos, panelas, frutas, legumes, ervas e temperos - ver lá em cima   como vim aqui parar).
   
   Um desses livros talvez seja  uma escolha inesperada. Foi prenda de anos da minha sogrinha. É da autoria de uma escritora inglesa, Tessa Kiros, de origem finlandesa/grega-cipriota que viveu na África do Sul  e que registou num livro de culinária as suas impressões acerca de ...Portugal!


   Por um lado poder- se-ia perguntar qual o objectivo de ter um livro, feito por uma estrangeira, que contém receitas de coisas que são, para nós que as temos à distância de um nada, banais. Falo das receitas de caldo verde, de pasteis de nata, de bife à lisboeta. Sim, são tavez banais. Mas vê- las à luz dos olhos de um estrangeiro foi, para mim, como se essas coisas ganhassem, de novo magia. A magia do que é nosso! Ver alguém falar, com o coração, do que é português, dos portugueses e descrever- nos com tanto carinho, nesta época em que o contexto social, económico e cultural não favorece nada a não ser tristeza e desânimo, foi, de facto, revigorante!
   Para além disto, a fotografia que acompanha o livro é fenomenal no que diz respeito à captar aspectos deslumbrantes da nossa cultura, como os azulejos, os pratos de porcelana antigos, expostos numa parede, os nossos velhotes com as suas rugas que são verdadeiras máquinas do tempo  que contêm séculos de História. Somos ou não somos um povo mágico???
  


  




quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Varicela!!!

   Pois é! A varicela apanhou a Brownie e eu vi- me de férias forçadas! E que bem me souberam! Todo o dia com a minha castanhinha, a fortalecer os laços antigos, a criar novos. E sim, a minha bebé está crescida e eu ainda não tinha dado conta! Conversámos muitos, trocámos muitos miminhos e ganhámos muita ( ou mais) cumplicidade! Viva a Varicela!
   A propósito de varicela, esta serviu para, mais uma vez, comprovar que as crianças são honestas por natureza... o mundo dos adultos é que as corrompe. Na noite em que a levei ao Centro de Saúde ela queixava- se de muita dor de cabeça. No consultório, o médico confirmou que as pintarolas tinham nome e que iam obrigá- la a ficar em casa. À saída, a minha Brownie estava delirante! Muito inocente, perguntei: Então, já não te dói a cabeça? - Achas????Eu estou de férias! (Eu confesso, tive muita dificulade em disfarçar que, afinal, também eu estava a comemorar!)
     E para que mais serviram as pintarolas???  Para além das arrumações que produziram muitos sacos para os "meninos pobres", aos quais a Brownie fez questão de acrescentar uns jogos e brinquedos ( porque:  Mamã! Os meninos não precisam só de roupa! Tu não sabes que é importante brincar? ) serviram para testar uma receita daquelas que ficam no rol das pendentes, para as quais compramos os ingredientes que acabam, que voltam a ser comprados e voltam a desaparecer do armário sem que cheguem a tomar a forma de algo comestível.
    Assim, desde o início da edição da revista da Bimby estou para fazer esta trança de chocolate e nozes (que eu fiz com avelãs, em homenagem ao Nutella).
   Como sempre, quando faço uma receita da Bimby, ocorre uma qualquer inconformidade que me obriga a meter a mão na massa... literalmente, desta vez. Acho que não pesei bem o leite e a massa ficou muito líquida. O que me obrigou a acrescentar farinha, farinha e mais farinha. No final, congelei metade da massa, dei três facadas na dieta e lanchei uma trança quentinha, no sofá quentinho, com um chá e um leitinho quentinhos, muito enroladinha na minha Brownie a ver o Mamma Mia. Ai que bela tarde! Obrigada varicela!
Isto foi A.F. (antes do forno) o D.F. não há!!! Perdão! Atirámo- nos para o sofá a bezerrar e não sobrou nada, nem vontade para a foto, nem trança porque, logo de seguida,  o meu excelentíssimo chegou e esfrangalhou- a num acesso misto de fome e gula!
Da próxima vez:
- ponho mais sal na massa
- tapo melhor com alumínio para que não esturrique (deixei uma pontinha por tapar...)
- experimento com as nozes

Anton Ego avistado em Lisboa

    Pois bem... tal como eu calculava! as coisas que temos de fazer não nos deixam tempo para aquelas que devíamos fazer. Não por obrigação, mas porque são aquelas que nos dão prazer e que nos aproximam da nossa essência. Está o mundo ao contrário... e não é de agora!
    Deixando- me de lamúrias porque a verdadeira valentia é nunca desistir, a minha ausência deve- se ao mês de todos os aniversários.Bom, pelo menos o meu e da Brownie. Cozinhei umas coisas, boas até, elogiadas por todos aqueles que apreciam a comida independentemente de acharem se é meritória ou não de ser dada a conhecer ao mundo. É óbvio que não passaram no crivo da minha apertadíssima censura: " Ora, não vou escrever sobre uma feijoada, por muito boa que estivesse!" ou então " panacotta com frutos silvestres assados". Pfff! vulgaríssimo!" . Daqui a pouco está a Brownie a dizer : "Mamã, faz em francês para pareceres o Ego do Ratatouille!"

    Então que andei a fazer este tempo? a comer MacDonalds? comida congelada? encomendada ou requentada? Nuuuuuuuunca na vida ( bem, um Mac-zinho consolava- me a alma antes da dieta...).
Pensei, reflecti, questionei e ponderei. No meu espírito um pensamento passa em rodapé ( escrito em bom português, que eu não escrevo rodapés para os telejornais, esses modelos de boa escrita!)...onde é que ia? Ah! o pensamento em rodapé...sim! E a pergunta é: qual o caminho??

    E a resposta vencedora é... (abertura do envelopes, silêncio na sala) ... o caminho é LUTAR! Ora, por esta altura está o caro leitor a questionar (e bem!) de que raio está ela a falar???

    Pois estou a falar de ESCREVER e COZINHAR! É óbvio que existirão sempre blogs melhores que o meu, de pessoas que cozinham melhor que eu, que tiram fotos de verdade e que postam com mais frequência!  Mas ainda assim eu tenho de deixar de ser a minha mais feroz crítica e de me dar uma oportunidade!

   Publicar mesmo que seja só esparguete cozido ( que tem arte!) e escrever, sobretudo escrever!  Porque até o Anton Ego mudou...

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Gelado de pêssego



Pink peach tree in blossom by Vincent Van Gogh, 1888

    O pessegueiro é uma árvore originária da China, que foi introduzida nas rotas comerciais através da Pérsia (uma das variedades mais conhecidas é a Prunus persica, nome que nos remete para essa origem).
    O pêssego é uma fruta cujo aporte calórico é praticamente nulo. É, contudo uma fonte de vitaminas e minerais benéficos para a saúde.
Rico em fibras, sais minerais (ferro, enxofre, iodo, fósforo, manganês e magnésio), vitaminas A, C, complexo B e B5.
    É indicado na manutenção de um intestino saudável e funcional, para atenuar os sintomas do reumatismo, problemas de pele e de sistema nervoso. Para além disto, é útil na regulação dos níveis de ácido úrico, ajuda na eliminação de toxinas e em problemas respiratórios.

    A infusão das folhas e sementes é calmante e as flores são usualmente utilizadas como laxante suave.


    Visto que esta é uma fruta com tão poucas calorias, que tal um toque de varinha mágica para lhe adicionarmos umas quantas?

500 gr. de pêssego
250 gr. açúcar
200 ml natas
Liquefazer o pêssego com o açúcar. À parte bater as natas até que fiquem bem firmes. Juntar ao coulis de pêssego de forma suave.
Quem tiver uma sorveteira, levar à sorveteira até que atinja a consistência pretendida. Quem não tiver, colocar no congelador, dentro de um recipiente tapado. Neste caso, terá de ter o cuidado de bater o gelado enquanto ele solidifica de forma a quebrar os cristais de gelo e, assim, obter um gelado cremoso.
Da próxima vez:
- não vou colocar tanto açúcar.
- vou tentar substituir as natas por iogurte natural magro.

Quanto a fotos, nem tudo está perdido. Sobrou o suficiente para uma bola. Amanhã tento colocar.
Um abraço.